De acordo com as pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população jovem (15 a 29 anos) do Brasil, em 2010, era de 51 milhões de pessoas. Num país jovem como o Brasil, é imprescindível que haja discussões voltadas para a construção de políticas públicas voltadas para essa população.
Pensando nisso, Maria Virgínia de Freitas, socióloga e coordenadora da área de Juventude da Ação Educativa e por Fernanda de Carvalho Papa, comunicadora social e ex-diretora de projetos da Fundação Friedrich Ebert no Brasil resolveram publicar o livro Juventude em pauta: políticas públicas no Brasil, que será lançado no dia 23 de abril, das 19h às 21h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, Avenida Paulista, 2.073, São Paulo (SP).
“Com a publicação do livro se pretende fazer um balanço crítico sobre os avanços que ocorreram nas políticas públicas voltadas para os jovens nesses 8 anos de governo Lula, bem como também provocar conhecimento crítico a respeito do assunto, mostrando os desafios que figuram nessa área para que se provoquem discussões a respeito do tema”, afirma Maria Virgínia de Freitas.
Para a organizadora, atualmente, há uma maior consciência dos jovens no papel que eles representam para a sociedade: “Hoje, há uma maior participação dos jovens, eles estão envolvidos e articulados em diferentes temas e pautas nos seminários, há uma maior quantidade de jovens que se mobilizam para participar da Conferência Nacional da Juventude Eles querem interferir no rumo da sociedade”.
Para Virgínia, mesmo com os avanços nas políticas públicas de juventude nesses últimos sete anos, a agenda de políticas públicas no Brasil voltadas para os jovens ainda não é suficiente, e ainda se está longe daquilo que eles necessitam. “Nesses últimos sete anos o tema avançou bastante em Conferências de Juventude, metodologias inovadoras, porém ainda se está longe daquilo que necessitamos. A área da saúde tem pouca visibilidade para os jovens, eles não são atendidos de forma adequada nos hospitais, também encontram uma grande dificuldade na iniciação do trabalho”.
A publicação
O livro reúne autores que trazem contribuições de lados muito diversos. São 23 artigos de pesquisadores, gestores e jovens militantes de diferentes organizações sociais originados do seminário “Políticas públicas: juventudes em pauta”, realizado em dezembro de 2010, em São Paulo.
A obra é dividida em 3 partes: Balanço das políticas, Juventude e participação: visões de jovens militantes e Concepções, Questões, Atores e Construção das Políticas. Os textos da primeira parte foram escritos antes do Seminário, são balanços sobre a educação, trabalho, cultura, saúde, segurança e participação. Eles foram distribuídos, debatidos durante o evento, e reformulados para participar do livro, incorporando aspectos da discussão da obra.
A segunda parte foi escrita por jovens militantes, seus textos foram produzidos antes do Seminário, para motivar os debates que ocorreram no evento. Eles abordam a participação dos jovens nas políticas públicas, seja por meio da militância ou apenas usufruindo delas. A terceira parte é composta por artigos escritos depois do Seminário, que surgiram da análise de seus autores sobre os debates e os textos produzidos durante o evento.
O livro é a segunda publicação das autoras, que também lançaram, em 2003, o livro “Políticas públicas: juventudes em pauta”, que é uma coletânea de textos que surgiram durante o seminário internacional sobre o assunto, realizado em 2002. Maria Virgínia fala que, naquele momento, como o Brasil não possuía muitas políticas públicas voltadas para a juventude, diferente de vários países da América Latina, foram convidamos intelectuais desses países para conversar sobre esse assunto.
Para Maria Virgínia, um dos pontos mais destacáveis da obra é a contribuição da Taciana Gouveia, militante do feminismo, que participou do Seminário, e analisou os debates e os textos produzidos nele, como “quem olha de fora”, por não militar no campo da juventude.
“O público-alvo do livro são todas as pessoas que estão envolvidas com as políticas de juventude, ou seja, jovens, estudantes, pesquisadores, militantes. É um público bastante diverso”, diz Virgínia.
A publicação também contou com a do Ibase, o Instituto Pólis, o Observatório Jovem da UFF, o Observatório da Juventude da UFMG, o Núcleo de Análises em Políticas Públicas da UFRRJ e o Instituto Paulista da Juventude, e com o apoio da Fundação Avina e da Norwegian Church Aid (NCA).













